A Cor Púrpura – Alice Walker

A Cor Púrpura, vencedor do Prêmio Pulitzer de 1983, já começa te dando um soco no estômago.

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O livro é uma coleção de cartas que Celie, uma mulher americana, negra e pobre do começo do século XX, escreve para Deus e para a irmã, Nettie. Nas primeiras cartas já dá pra entender que a leitura não vai ser fácil, que vai ser uma leitura pesada, que tu vai sentir as dores das personagens, que tu precisa continuar lendo, e tu precisa que as coisas melhorem.

De todo jeito, eu falei, o Deus pra quem eu rezo e pra quem eu escrevo é homem. E age igualzinho aos outros homem queu conheço. Trapaceiro, isquecido e ordinário.

Nestas cartas, Celie encontra uma forma de contar o que está acontecendo na vida e o que está sentindo, quando não tem ninguém por perto que ela ame e possa confiar. Celie começa a contar o que está acontecendo com 14 anos, e se passam mais de 30 anos até o final do livro (não dá para saber ao certo quanto tempo passou, mas em um momento é comentado que já se passaram 30 anos de uma situação). A vida da Celie começa com abusos do pai. Depois os abusos são do marido e dos enteados. Ela é afastada da única pessoa que ela ama. Outras mulheres da comunidade começam a erguer a voz e mostrar que ela não tem que aceitar ser abusada e massacrada. Nas cartas, Celie e Nettie também contam sobre a vida de outras pessoas da comunidade (os principais personagens são mulheres negras). É tanta m****, que é difícil de ler…

Você é preta, é pobre, é feia. Você é mulher. Vá pro diabo, ele falou, você num é nada.

O livro explora diversos temas, do racismo à colonização de países africanos. Há tanto sofrimento… Abuso de autoridade, machismo, abuso físico e psicológico.

Quando eu vi Sofia eu num entendi como ela inda tava viva. Eles quebraram a cabeça dela, eles quebraram as custela dela. Eles deixaram o nariz dela solto de um lado. Eles cegaram ela de um olho.

A força das mulheres é linda. O amor e amizade entre elas, que dão proteção e força para as que ainda não sabem a força que tem, é lindo. Além da Celie e Nettie, duas outras personagens me marcaram no livro: a Sofia e a Shug. A Sofia é uma mulher super forte, entra na história como namorada do enteado da Celie. Me apaixonei por ela assim que apareceu no livro (lê um trechinho de fala dela aí embaixo). Shug é uma cantora super famosa, que teve um relacionamento com o marido da Celie e se torna uma pessoa incrível na vida da Celie.

Ela [Sofia] falou, Toda minha vida eu tive que brigar. Eu tive que brigar com meu pai. Tive que brigar com meus irmãos. Tive que brigar com meus primos e meus tio. Uma criança mulher num tá sigura numa família de homem. Mas eu nunca pensei que ia ter que brigar na minha própria casa. Ela respirou fundo. Eu gosto do Harpo, ela falou. Deus sabe como eu gosto. Mas eu mataria ele antes de deixar ele me bater.

A mudança de alguns personagens ao longo do livro é linda.

“Já que os Olinka não eram mais os donos de sua aldeia, eles teriam que pagar um aluguel por ela, e para usar a água, que também não pertencia mais a eles, teriam que pagar um imposto. No começo as pessoas riram. Parecia mesmo uma loucura. Eles estavam aqui desde sempre. Mas o chefe não riu.”

“Primeiro se constrói uma estrada até onde você guarda suas coisas. Depois as árvores são arrancadas para fazer navios e móveis para o capitão. Depois plantam sua terra com uma coisa que você não pode comer. Depois você é forçado a trabalhar para eles. Isso tá acontecendo em toda a África, ela falou.”

Esse livro foi indicado pela Emma Watson para O Clube do Livro Feminista ano passado (lista completa aqui). Depois dessa leitura, eu indico muito esse livro! O livro é incrível, mas é bem pesado, desde a primeira página, então talvez não seja para todos os momentos da vida.

Existe um filme baseado no livro, mas não assisti, e tenho minhas dúvidas se um filme seria capaz de reproduzir as histórias e sentimentos do livro.

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