Cem anos de solidão – Gabriel García Márquez

Em Cem anos de solidão, segunda obra mais importante da literatura hispânica (IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, 2007), Gabriel García Márquez conta a história da família Buendía e a cidade de Macondo.

A história começa com a vida do José Arcadio Buendía e Úrsula, e a fundação de Macondo. A partir desse ponto, a família e a cidade crescem e passam-se mais de cem anos de aventuras, solidão, e fatos estranhos (para o leitor, para os personagens tudo parece normal).

“El primero de la estirpe  está amarrado en un árbol y al último se lo están comiendo las hormigas.”

Gabo

Os nomes dos membros da família durante 7 gerações se resumem à: José Arcadio, Úrsula, Amaranta, Aureliano e Remédios, então imagina a confusão que é (se você se perder, vale a pena procurar a árvore genealógica na internet). Além dos Buendía, outros personagens são tão importantes para história quanto a própria família.

“No había ningún misterio en el corazón de un Buendía, que fuera impenetrable para ella [Pitar Ternera], porque un siglo de naipes y de experiencia le había enseñado que la historia de la familia era un engranaje de repeticiones irreparables, una rueda giratoria que hubiera seguido dandos vueltas hasta la eternidad, de no haber sido por el desgaste prograsivo e irremediable del eje.”

Cem anos de solidão é um livro do gênero realismo fantástico, então no meio da vida normal dos Buendía acontecem coisas bizarras, como por exemplo, um homem que está sempre com mariposas ao redor, um personagem que apesar de estar vivo, algumas pessoas não conseguem vê-lo, um fantasma que fala com quem decide estudar os pergaminhos de Melquíades (um cigano que levava novidades tecnológicas para Macondo), personagens que vivem sozinhos e sem sair de casa por anos e anos, personagens que vivem muito mais de 100 anos e por aí vai…

“No se le había ocurrido pensar hasta entonces que la literatura fuera al mejor juguete que se había inventado para burlarse de la gente (…)”

A evolução da cidade, criada por José Arcadio e amigos do nada, até uma “época de ouro” e a decadência está muito relacionada a evolução da própria família Buendía. Achei o livro bem melancólico. Apesar das partes engraçadas e felizes, eu senti uma tristeza com o acabar do livro e da história dos Buendías (e vontade de recomeçar a leitura).

“Fernanda se preguntó si no estaría incurriendo también en el vicio de hacer para deshacer, como el coronel Aureliano Buendía com los pescaditos de oro, Amaranta con los botones y la mortaja, José Arcadio Segundo con los pergaminos y Úrsula con los recuerdos.”

“Locamente enamorados al cabo de tantos años de complicidad estéril, gozaban con el milagro de quererse tanto en la mesa como en la cama, y llegaron a ser tan felices, que todavía cuando eran dos ancianos agotados seguían retozando como conejitos y peleándose como perros.”

Minha personagem favorita foi a Úrsula, que mulher incrível! Alguns personagens a gente até esquece que ainda estão vivos, quando reaparecem 50 páginas depois.

“Un domingo de ramos entraron al dormitorio mientras Fernanda estaba en misa, y cargaron a Úrsula por la nuca y los tobillos.
– Pobre la tatarabuelita – dijo Amaranta Úrsula -, se nos murió de vieja.
Úrsula se sobresaltó.
-¡Estoy viva! – dijo
– Ya ves – dijo Amaranta Úrsula, reprimiendo la risa -, ni siquiera respira.
– ¡Estoy hablando! – gritó Úrsula.
– Ni siquiera habla – dijo Aureliano -. Se murió como un grillito.” 

Um “personagem” importante são os pergaminhos de Melquíades. Durante boa parte da história, se fala e se esquece os pergaminhos, que no final são decifrados.

“(…) Acabara de descifrar los pergaminos, y que todo lo escrito en ellos era irrepetible desde siempre y para siempre, porque las estirpes condenadas a cien años de soledad no tenían una segunda oportunidad sobre la tierra.”

Não achei uma leitura linear. Durante as primeiras 100 páginas, a leitura fluiu muito, durante um tempo ficou arrastada e depois voltou a andar bem. Muita coisa no livro não faz sentido, eu achei divertido, mas pode ser um tanto quanto confuso. Para mim, a maior confusão foram os nomes… essa família podia ter sido mais criativa nos nomes, são muitos Aurelianos… 🙂

A título de curiosidade: a família do Gabo estava super mal financeiramente enquanto ele escrevia Cem anos de solidão. Quando acabou, só tinha dinheiro para mandar metade do manuscrito para editora na Argentina. Depois que enviaram, se deram conta que tinham enviado a segunda metade do manuscrito.

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Para comprar o livro: Amazon (em português, em espanhol)

 

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