The Help (A Resposta) – Kathryn Stockett

Para começar: recomendo muito esse livro.

O livro The Help (A Resposta, achei essa tradução tão estranha!) é narrado por três personagens: Aibileen, Senhorita Skeeter e Minny, e se passa nos anos 60 em Jackson, Mississipi (EUA).

O livro conta a relação entre brancos e negros, numa sociedade em que a segregação era regra (inacreditável que em 1960 ainda fosse dessa forma). As empregadas domésticas sendo tratadas como inferiores, sujas e com doenças diferentes dos brancos (o que justificaria não deixá-las usarem o mesmo banheiro que os moradores da casa), e ao mesmo tempo eram elas que cuidavam das crianças e da comida da família (não dá pra entender isso…) .

A Senhorita Skeeter (tratamento usado pelas empregadas) é uma mulher moderna para Jackson, uma cidade pequena e conservadora (parece um pesadelo!). Ela é a única solteira entre suas amigas (para o desespero da mãe), deseja ser escritora, acabou a faculdade e começou a trabalhar no jornal local. Assim como a maioria das crianças da sua geração, foi criada por uma empregada negra, Constantine, que é sua melhor amiga, e, sem nenhum motivo claro, não está mais trabalhando na sua casa quando ela retorna dos estudos. Ninguém lhe conta o que realmente aconteceu.

Hilly, Elisabeth e Skeeter são amigas de infância. Hilly coordena uma campanha para que as famílias brancas tenham um banheiro separado para as empregadas (a Hilly é uma pessoa insuportável, desumana!). Skeeter começa a se incomodar com isso e numa curta conversa com Aibileen, empregada da Elisabeth, pergunta se ela nunca pensou se o mundo poderia ser diferente.

Aibileen e Minny trabalharam desde sempre em casas de brancos.

A Aibileen tem um jeito especial com crianças, sempre fica nas famílias até a criança ter 7, 8 anos. Teve que parar de estudar para trabalhar e escreve as orações para não perder a habilidade que tem para escrever. Teve um filho, que morreu, e desde então a vida perdeu um pouco o sentido.

A Minny foi a minha personagem favorita. Ela fala o que pensa (no limite da legalidade, e por isso perdeu muitos empregos). Tem cinco filhos e um marido violento. Boa parte do livro ela trabalha para Senhora Celia, que é uma pessoa muito simples e querida (uma fofa! que não sabe bem os limites entre elas, querendo abraçar a Minny, quando isso não era um comportamento que uma mulher branca deveria ter com uma mulher negra).

Logo após o seu retorno, Skeeter começa a ver como as coisas estão erradas, que não faz sentido a forma com que as empregadas são tratadas, e depois de uma conversa com a Aibileen, percebe que precisa dar voz à essas mulheres.

Com o tempo, Aibileen percebeu que ela tinha que contar a sua vida e aceitou a proposta da Skeeter, mesmo com os riscos que estava correndo (sim, porque ela podia ser presa, ou pior…). Contar o que ela via nas casas. Contar como ela amava aqueles bebês que ela criou, como eles a amavam mas mesmo assim quando cresciam ficavam iguais aos pais. Foi difícil convencer as outras empregadas que valia o risco. Mas convenceu e as histórias não eram apenas tristes, algumas empregadas tinham boas histórias para contar.

A história se passa contando a vida pelo ponto de vista das três enquanto estão escrevendo o livro. Um livro com depoimentos de 12 empregadas negras, e a história da Skeeter com  Constantine.

Engraçado que em uma parte do livro um personagem (branco e rico) pergunta para a Skeeter o porquê de ela estar se envolvendo em confusão (lutar pelo direito dos negros era passível de prisão!) uma vez que estava tudo “bem” em Jackson. Estava tudo bem porque não era ele quem sofria com a segregação, não era ele que podia ser preso sem julgamento porque um branco o acusou de alguma coisa, mesmo sem provas (infelizmente vemos isso ainda acontecer), e ele não tinha empatia nem de se colocar no lugar dos negros. Nunca perguntaram para os empregados negros se estava tudo bem com eles, mas assumiam que sim, afinal para os brancos tudo estava muito confortável. 

É chocante ler e pensar que tudo isso aconteceu em 1960. Felizmente muita coisa melhorou, mas mesmo no Brasil, mesmo que não tenhamos tido essa história de segregação tão forte, ainda vemos isso todos os dias, em 2016.

 

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3 comentários sobre “The Help (A Resposta) – Kathryn Stockett

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