Uma reflexão sobre o filme Boyhood de Richard Linklater

O Comum de Ser

“Boyhood – da Infância à Juventude” é um retrato da vida, do ser humano e seus paradoxos. Ora calmo e pensativo, mas também ágil e dinâmico. Uma hora se diverte em uma brincadeira de criança e outra se prepara para a vida adulta. Mason brinca com seus amigos na rua, em seguida descobre a adolescência, passa na universidade e então sai de casa. O filme é um longa que foi gravado por doze anos sem alteração do elenco principal. Protagonizado por Mason Jr. dos seis aos dezoito anos de idade. Relata momentos e conflitos da vida de uma família americana nos anos 2000, e vários momentos e mudanças da vida de Mason – bons, outros nem tanto – que colaboraram para a formação de sua personalidade e a visão que a família tem do mundo.

boyhood

Diversos assuntos são abordados, desde a primeira experiência com álcool, namoro, separação, brigas, discussões, amizades, mudanças e demais temas, como o caso do alcoolismo, que é um problema presente em inúmeras famílias em todo mundo, problema esse que se repetiu nos três relacionamentos da mãe de Mason, mostrando ainda mais a flexibilidade e a humanidade do filme diante das falhas – aqui românticas. São casos comuns, ora presentes com mais intensidade, ora menos, mas que pertencem a vida do ser humano e suas constantes mutações, e a deixa ainda mais interessante.

O filme mostra uma trajetória dinâmica e com vários elementos históricos do cotidiano dos americanos do momento, com a presença também, de elementos da cultura pop; como por exemplo: quando Samantha, já jovem, é questionada pela então esposa de seu pai ao assistir a um videoclipe de “Lady Gaga”, em seu smartphone, ritmo comum entre os jovens da época. O longa conta ainda, com outras referências, além das música e dos lançamentos de aparelhos eletrônicos e livros – smartphones e “Harry Potter” – presencia ainda, o episódio das eleições, em que Mason e seu pai, espalham placas em prol de Barack Obama pela vizinhança, em que Bush, o atual presidente, é também criticado pela família. Tal crítica, pode ser eventualmente interpretada como preconceito, por ter dificuldade de encarar o diferente.

Pode-se notar ainda, outros momentos em que preconceitos fez-se presente, como por exemplo: quando Mason já adolescente e fazendo trabalhos paralelos com a escola, decidiu pintar suas unhas, essas foram motivo de risadas e “piadinhas” por parte do então namorado de sua mãe.

O filme traz uma mensagem implícita quanto a passagem do tempo: precisamos dar sentido à vida, essa, ganha ainda mais significado, quando podemos proporcionar pequenas alegrias à vida do próximo. Já que tanto momentos quanto nossa existência são passageiros. “Boyhood” é um filme que reserva infinitos sentimentos: da tristeza a melancolia, da curiosidade até afeto e felicidade, da forma como a vida é preenchida.

Por Kátia Schuster, estudante de letras português e alemão.
Blog Pedaços de Ideias.

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