Número Zero – Umberto Eco

Li poucos livros do Umberto Eco (antes do Número Zero, só li O Cemitério de Praga e O Nome da Rosa), mas acho ele genial. Os livros te prendem, é difícil parar de ler. Com o “Número Zero” foi assim depois de um ponto do livro. O começo foi meio devagar, mas chegou o ponto que ficou difícil parar de ler.

Número Zero

O livro que se passa em Milão de 1992, narrado por um dos personagens, Colonna, conta a história de um jornal (por enquanto ainda é um protótipo) cujo objetivo é entregar os podres dos adversários, criar calúnias, difamar, mas de forma sútil. Durante a história, truques do jornalismo são comentados, por exemplo, como publicar um escândalo, mas não dar ênfase a ele, de forma que o público leia e pense que é menor do que realmente é.

A história começa a ficar mais envolvente quando um dos jornalistas começa a investigar a morte do Mussolini, e conectar isso com o Vaticano e histórias recentes da Itália (operação Gladio, assassinato de João Paulo I, atentados terroristas e golpe de Estado de Julio Borghese).

O fato de também esquecermos os escândalos rapidamente, de não nos importarmos, de aceitarmos o podre como se fosse a única opção são destacadas; como a Itália de 1992 estava se transformando no Terceiro Mundo, aonde a corrupção, a violência, a falta de vergonha são regras.

O livro foi inspirado em fatos reais e um personagem real. Carmine Pecorelli produzia um boletim de notícias constrangedoras que era enviado para poderosos e acabou sendo assassinado.

Mas também tem uns trechos muito engraçados para quem está olhando do futuro a visão de 1992, como a discussão sobre o celular.

numerozero2

O livro é curtinho, 207 páginas. Ficou com gostinho de quero mais, alguns fatos não foram fechados (se tu acredita na conspiração). Recomendo, assim como recomendo “O nome da Rosa” e “O cemitério de Praga”.

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5 comentários sobre “Número Zero – Umberto Eco

    1. Acho o Umberto Eco incrível.
      A parte do celular foi muito engraçada, e continua essa conversa por mais uns 2 parágrafos, e falam que o celular só é útil para adúlteros. Imagina se eles tivessem ideia do que seria o smartphone…
      Beijos

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  1. Pingback: Retrospectiva 2016 – Oh my livros!

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